domingo, 26 de dezembro de 2010

Um chapéu de presente...

Conheci uma moça que ganhou de presente um chapéu muito bonito. Mas antigo demais para ser usado nos dias comuns. Seu formato acertava-se perfeitamente à cabeça, mas ao mesmo tempo garantia um certo desconforto como se o resto da roupa e mesmo da cara não combinasse com o tom azul e a flor amassada de organza rosa e velha. O presente era uma herança que recebera no mesmo dia que soube da morte da avó. O chapéu tinha sido o seu enfeite de todos os domingos. Na sua avó ficava perfeito, combinavam. Talvez sua avó tivesse construído uma vida onde fosse possível caber um chapéu romântico. Esta menina não tinha uma vida onde este chapéu pudesse ser usado aos domingos. No máximo seria pendurado como um quadro em algum canto da casa, para que o carinho, as férias perfeitas na casa da avó, as tardes juntas no quarto de costura, as noites na frente da televisão, o cheiro da comida, o cheiro de talco logo após o banho, o café do domingo sempre cedo e sempre com bolo de fubá estivessem também pendurados juntos com o chapéu. Talvez assim também chegasse o dia em que esta moça pudesse usá-lo de forma natural e se sentir bonita, como, tinha certeza, sua avó sentia. Não sabia ao certo se este dia chegaria.... Mas não tinha pressa. Agora era um dos seus pertences. Um presente perfeito que ganhara para aliviar uma tristeza. Uma bobagem, como disse sua tia. O mundo mudaria certamente em torno do chapéu. Mas ele não ficaria mais feio, nem mais bonito, nem mais ultrapassado do que já era... Talvez o tempo também mude o chapéu, deixe-o desbotado, talvez as traças ataquem. Mas isto sinceramente não tem importância... Num dia qualquer, em que estiver a toa e sozinha, já posso vê-la colocar a chapéu na cabeça, olhar no espelho, sorrir, imaginar uma conversa qualquer, um passeio, brincar de voltar no tempo, brincar de ser outra pessoa, brincar com o seu passado, cantar, dançar... enfim, usar a "bobagem" como as coisas devem ser: simples e para trazer alegrias. Mas depois colocá-lo no seu lugar na parede e se voltar para ler o jornal, arrumar a roupa ou sair para tomar um sorvete. E certa de que não importa que você não combine mais com o chapéu do passado, mas ele esteve ali, fez parte da sua vida... e vai continuar, mesmo que pendurado na parede.

Não vou comprar cigarro em Cuba

Tradicionalmente todo ano, no final do ano especificamente, mudo a cara do blog. No começo sempre fico em dúvida se fiz a escolha certa. Mas depois vou me acostumando e me recuso a mudar... Então esta será a cara do Visões em 2011. Pra falar a verdade escolhi pela cor e pela simplicidade. Achei melhor do que antes que estava muito rebuscado e esquisito. Afinal é isto também o que tem acontecido com os blogs. Em tempos de cento e poucos caracteres ter um blog é ser "old school"... Não se usa mais, ninguém lê e é como um grão de areia na tempestade virtual que cresce a cada milésimo de segundo. Mas eu insisto... de forma um pouco desleixada... escrevendo pouco... mas tô ai. Coloquei na minha lista de coisas para fazer a mudança do blog... vou ficando... ele vai ficando e assim seguimos como um casamento antigo, daqueles que as pessoas tem muita intimidade, mas pouca convivência, talvez pouco amor, mas muita coisa da vida em jogo para sair batendo a porta, ir comprar cigarro em Cuba e nunca mais voltar.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A Balada do Louco

Para conhecer mais sobre o livro é só acessar o link: http://meadiciona.com/abaladadolouco
Espero que gostem.

domingo, 17 de outubro de 2010

Publicar um livro.

Aprendi a ler bem cedo. E desde então sempre li muito. Sempre soube que iria escrever. Nunca quis ser outra coisa na vida. Mas as coisas não são assim tão facéis e pagar as prestações das Casas Bahia e escrever não são necessariamente compatíveis. Foi um longo caminho até aqui. Mas o livro que terminei de escrever em 2003, "A Balada do Louco" finalmente foi publicado. Fui recusada cinco vezes por editoras diferentes. Recebi recomendações de transformar o livro num diário, de reescrever sem ser na primeira pessoa, que faltava pesquisa, era preciso colocar mais informação... bom enfim. Eu fui indo agarrada na esperança de que um dia iria dar certo. E deu. Graças a Fernanda Senatori eu conheci o Henrique Flory, editor da Arte e Ciência que leu o livro gostou e resolveu publicar. Agora tá ai. Aconteceu. E a sensação é muito maluca. O tempo que me levou a escrever este livro ficou muito lá tras e hoje eu percebo que realmente queria escrever uma história sobre um passado. Acho que por isto precisou demorar tanto. Algumas pessoas estão lendo e comentando comigo. Cada um me fala uma coisa. Gosta de alguma coisa, pergunta por uma coisa que ficou faltando e sempre termina com a frase: nossa lembrei de tanta coisa... E eu cheguei a conclusão de que este livro é um guia de saudade. Falta um monte de coisa nele, não está completo. Sei lá se conseguiria fazer diferente. Só sei que a partir dele eu realmente me tornei escritora. Isto não quer dizer nada. Apenas que apesar de andar uma vida por muitos labirintos apenas avistei ao longe a enorme escada da literatura que eu nem sei se vou conseguir subir o primeiro degrau. Mas agora não vou parar...Espero ter força e tempo para a empreitada.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Sobre o comportamento humano

"Entre outras coisas, você vai descobrir que não é a primeira pessoa a ficar confusa e assustada, e até enojada, pelo comportamento humano. Você não está de maneira nenhuma sozinho nesse terreno, e se sentirá estimulado e entusiasmado quando souber disso. Muitos homens, muitos mesmo, enfrentaram os mesmos problemas morais e espirituais que você está enfrentando agora. Felizmente, alguns deles guardaram um registro de seus problemas. Você aprenderá com eles, se quiser. Da mesma forma que, algum dia, se você tiver alguma coisa a oferecer, alguém irá aprender alguma coisa de você. É um belo arranjo recíproco. E não é instrução. É história. É poesia.
Jerome David Salinger

domingo, 12 de setembro de 2010

Dona-de-casa moderna...

Sinceramente não sei se dona-de-casa ainda tem hifem. Bom mas a questão é a seguinte. Eu acho que já se falou muito sobre este assunto, mas eu preciso desabafar... Não quero reclamar... Mas se tem um dia de uma dona-de-casa moderna este dia é sábado. Neste dia uma conjunção astral poderosa faz sábado o dia de coisas para fazer. Vou falar do meu. Acordei, tomei café-da-manhã ainda na esperança de um dia calmo, aí fui tomar banho e descubro que o aquecedor não está mais funcionando. Aperto uns botões, rezo na frente dele e nada... É preciso chamar alguém. Milagrosamente o técnico atende e pode vir daqui uma hora e meia. Acredite ele estava terminando um trabalho na mesma região. É o tempo que eu tenho de ir ao supermercado. Porque ou eu vou, ou as pessoas morrem de inanição. Poderia pedir algo pelo telefone... mas putz, fim de mês não é para estas coisas... Tenho que comprar um peixe. Já que vou fazer uma moqueca para a minha família. Mas quero cação e só tem no mercado municipal... Será que vai dar tempo? Estaciono rápido, o japonês me atende rápido. Mais um milagre de um dia dificil, ficando fácil... Conserta o aquecedor. É preciso pagar. Precisa acontecer estas coisas no fim do mês?? Aí a empregada não veio e a casa tá imunda. É preciso limpar, guardar as coisas do mercado, fazer comida. Ufa!! Só consegui tomar banho as dez da noite. Vinho e filme antigo curam qualquer coisa. Domigo começou cedo. Fiz moqueca... dá um pouco de trabalho e tem muita coisa pra lavar... e depois são dez pessoas comendo... Não é educado servir as coisas em descartáveis... mas que dá vontade dá. Mas ao mesmo tempo é tão legal. Resumo do dia: comida boa, conversa boa, amor e um cansaço bom...

sábado, 21 de agosto de 2010

Alimentando o blog

Eu tenho escrito algumas coisas... umas pagam as contas, outras são porque eu preciso de alguma coisa para me divertir... Então são sobre coisas, basicamente música e cinema. Escrevi para o UIA porque a Ana fica me cobrando e eu funciono muito bem sob pressão... Me sinto feliz. Aqui no Visões eu não tenho ninguém para me cobrar, mandar e.mail de madrugada, fazer chantagem e principalmente me fazer sentir culpada... Então aproveita também para conhecer o site que é bem legal. Principalmente para quem quer sair e precisa de uma boa dica.

Stacey Kent no Brasil

(este texto é eu escrevi para o UIA Diário - http://www.uiadiario.com.br)

Stacey Kent desembarca no Brasil para uma série de quatro shows em setembro. Kent se apresenta em São Paulo (9), Itajaí (10), Porto Alegre (14) e Rio de Janeiro (16).
Vem para promover seu último disco chamado Raconte-moi, lançado neste ano pela antológica gravadora Blue Note e totalmente gravado em francês.
Aliás, Stacey possui um dos contratos mais invejáveis do selo musical, com privilégios de diva.
A faixa que abre o disco Raconte-moi é uma versão em francês para o clássico "Águas de Março" de Tom Jobim. Recentemente a moça deu uma declaração que o seu sonho era gravar em português, língua a qual se dedica a aprender além do inglês e francês que já domina. No álbum, Kent faz também sua versão para canções de diferentes gerações da música francesa, de Henri Salvador, Barbara e Georges Moustaki a Benjamin Biolay e Keren-Ann.
Americana de New Jersey, Stacey Kent, como Cassandra Wilson e Diana Krall, tornou-se uma ponte moderna entre o jazz e o pop.
Escolheu Londres para viver e é uma estrela na cena européia. É cantora residente do mais famoso clube de jazz de Londres, o Ronnie Scott’s, ganhou o British Jazz Award e o BBC Jazz Award, no ano passado, a França lhe deu a comenda Chevalier des Arts et Lettres. Em 2007 foi indicada ao Grammy pelo lindo álbum "Breakfast on the Morning".
Seu primeiro disco saiu em 97, "Close your eyes". Desde então já foram 15 discos lançados, inúmeras parcerias e a certeza que com tanto talento e carisma Stacey com certeza está entre as grandes cantora de jazz. Esta é sua segunda vez no Brasil e este show é imperdível.

Apenas uma vez, mais uma vez....

(este texto eu escrevi para o UIA Diário - http://www.uiadiario.com.br)

No próximo dia 27 de agosto a dupla The Sewll Season vem ao Brasil para lançar o seu segundo álbum: Strict Joy.
The Swell Season é formado pelo guitarrista irlândes Glen Hansard e pela pianista tcheca Marqueta Irglova. Os dois ganharam projeção mundial quando receberam o Oscar em 2008 de melhor canção original. "Falling Slowly" virou uma espécie de novo clássico da música romântica... É impossível não ouvir e se sensibilizar.
A faixa faz parte do sensível filme "Once", que no Brasil ganhou a tradução de "Apenas uma vez". O filme conta a história do encontro de um músico de rua e de uma pianista imigrante nas agitadas ruas de Dublin. Glen e Marketa fazem a dupla romântica...
Ao ouvir o novo álbum da dupla você chega a conclusão que já ouviu isto antes. Com outros músicos como Van Morrison e Damien Rice. Mas isto é folk music. E vamos combinar que é muito difícil fazer variações em cima do folk.
O disco é romântico, sensível e uma ótima oportunidade para fazer uma declaração de amor... Então se você está no mundo das pessoas apaixonadas vai adorar o clima de "loves in the air" que prevalece no show e no som da dupla.... Mas já vou avisando é "Apenas uma vez, mais uma vez"... o que não quer dizer que é ruim. Muito pelo contrário. "Strict Joy" está mais bem arranjado e sofisticado. O conjunto de arranjos sutis que prevalecem as cordas, melodias serenas e boas letras soam muito bem. A produção é do americano Peter Katis, que tem trabalhando com músicos escoceses . A voz de Glen prevalece nas músicas, mas é Marketa que se destaca...
Patricia Oriolo - roteirista e ouvinte amadora

Você é o Poderoso Chefão

(este texto eu escrevi para o UIA Diário - http://www.uiadiario.com.br)

Esta dica é só para os iluminados. Aqueles que são capazes de dedicar um dia de sua vida para ficar em casa assistindo filme... Mas não um filme qualquer. Estamos falando da saga “O Poderoso Chefão”. Se você não gosta dos filmes... Pare a leitura por aqui. Porque daqui em diante só os escolhidos terão vez.
A idéia é que você dedique um sábado de sua vida para rever todos os três filmes. Eu to acreditando que em algum momento da sua vida você já assistiu...
O melhor dia para esta aventura é no sábado. Assim você tem a sexta para se preparar e o domingo para voltar ao normal... Já que depois que quase nove horas na frente da TV a possibilidade de você virar uma lagartixa é grande.
Na sexta compre todos os tipos de supérfluos perecíveis que você mais gosta, vinho, cerveja... é bom ter alguma bebida por perto, você não vai dirigir mesmo. Avise aos amigos e aos parentes que no sábado você estará fora.
Se puder encha a lata na sexta a noite. É bom para entrar no clima marginal. No sábado acorde por volta das onze horas da manhã. É um horário civilizado para este tipo de coisa. Já comece comendo as tranqueiras que você trouxe do supermercado e então d~e o play neste dia tão especial. Eu sugiro que você comece pelo Poderoso Chefão III. E eu explico. É o mais chato de todos, um pouco cansativo e, em minha opinião, psicológico demais. Eu acho bom porque já que você se propôs a assistir aos três, se você deixar por último vai desencanar... Tenho certeza. Já aconteceu comigo e com outras pessoas que se aventuraram por este mundo.
Depois que terminar o filme, já deve estar na hora do almoço. Coma mais tranqueiras ou faça um macarrão ao sugo para te colocar no clima italiano e eu acho que já tá numa boa hora para abrir um vinho.
Parta então para O Poderoso Chefão I. E o encontro de Al Paccino com Marlon Brando na saga da família Corleone. E você vai ter a chance de ver a cena do cavalo e do pedágio novamente. Só para você. Para muitos são as cenas mais brilhantes do cinema.
Coma mais tranqueiras. Abra outro vinho e coloque o Poderoso Chefão II. Para mim o melhor dos três. Adoro este filme. É a entrada de Robert de Niro na Saga como o jovem Vito Corleone. Ficamos sabendo sobre a sua infância e juventude e como a Máfia Italiana mata toda a sua família. É também uma forma de entender como a Máfia entrou em Las Vegas... E aí terminou o seu dia dedicado a uma das melhores histórias do cinema. Se você quiser saber como Mario Puzzo, roteirista e autor do livro chegou aos Corleones leia “Os Bórgias”.. Pra te falar a verdade este livro faz O Poderoso Chefão parecer um conto de fadas...

terça-feira, 27 de julho de 2010

Disco novo Rodrigo Maranhão


Desde que Maria Rita lançou o CD "Segundo" e a faixa "Caminho das Águas" tocou sem parar nas rádios do Brasil, Rodrigo Maranhão ganhou o título de um dos melhores compositores da nova geração de MPB.
Mas Rodrigo está na estrada há muito tempo e este ano lançou o no mínimo bonito CD "Passageiro". É o seu segundo álbum. O primeiro "Bordado" é para muitos genial.
"Passageiro" é assim como a capa do disco: um momento de frente para o mar. Pensando, ouvindo, brincando, dançando...
O álbum consolida a carreira de Rodrigo Maranhão como cantor de suas composições. Ele aparece mais maduro e consciente como intérprete.
As composições são criativas nas misturas de sonoridades. Samba, baião, xote e até um fado compõe as 12 faixas inéditas que receberam a produção de Zé Nogueira.
Sonoramente falando é um disco elegante. Mas uma elegância antiga e nostálgica. Do tipo que te faz lembrar de amigos, momentos, casas, famílias, férias, adolescência...
A primeira faixa é "Samba Quadrado", que tem um bonito arranjo de cordas. A única parceria do disco está em "Valsa Lisérgica" com letra de Pedro Luís. A faixa título é um momento melancólico num baião-dor-de-cotovelo.
É um disco de frases e poesia... que você escuta como se alguém tivesse lhe pedindo para guardar em segredo um sentimento profundo. Recomendo...

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Sobre ser jornalista...

"Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade. Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte." Gabriel Garcia Marquez

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Sobre amar...

"Há mulheres que querem que o seu homem seja o Sol. O meu quero o nuvem. Há mulheres que falam na voz do seu homem. O meu que seja calado e eu, nele, guarde meus silêncios. Para que ele seja a minha voz quando Deus me pedir contas.
No resto, quero que tenha medo e me deixe ser mulher, mesmo que nem sempre sua. Que ele seja homem em breves doses. Que exista em marés, no ciclo das águas e dos ventos. E, vez em quando, seja mulher, tanto quanto eu. As suas mãos as quero firmes quando me despir. Mas ainda mais quero que ele me saiba vestir. Como se eu mesma me vestisse e ele fosse a mão da minha vaidade.
Há muitotempo, me casei, também eu. Dispensei uma vida com esse alguém. Até que ele foi. Quando me deixou, já não me deixou a mim. Que eu já era outra, habilitada a ser ninguém. Às vezes, contudo, ainda me adoece uma saudade desse homem. Lembro o tempo em que me encantei, tudo era um princípio. Eu era nova, dezanovinha.
Quando ele me dirigiu palavra, nesse primeiríssimo dia, dei conta de que, até então, nunca eu tinha falado com ninguém. O que havia feito era comerciar palavra, em negoceio de sentimento. Falar é outra coisa, é essa ponte sagrada em que ficamos pendentes, suspensos sobre o abismo. Falar é outra coisa, vos digo. Dessa vez, com esse homem, na palavra eu me divinizei. Como perfume em que perdesse minha própria aparência. Me solvia na fala, insubstanciada." (Mia Couto em "O fio da missanga)

domingo, 30 de maio de 2010

Sobre ser artista

"Lado a lado com a espécie humana corra outra raça de seres, os inumanos, a raça dos artistas que, incitados por desconhecidos impulsos, tomam a massa sem vida da humanidade e, pela febre e pelo fermento com que a impregnam, transformam a massa úmida em pão, e o pão em vinho, e o vinho em canção. Do composto morto e da escória inerte criam uma canção que contagia. Vejo esta outra raça de indivíduos esquadrinhando o universo, virando tudo de cabeça para baixo, os pés sempre se movendo em sangue e lágrimas, as mãos sempre vazias, sempre se estendendo na tentativa de agarrar o além, o deus inatingível: matando tudo ao seu alcance que lhe rói as entranhas (...) Um homem que pertence a essa raça precisa ficar em pé no lugar alto, com palavras desconexas na boca, e arrancar as próprias entranhas. É certo e justo, porque ele precisa! E tudo quanto fique aquém dessa aterrorizador espetáculo, tudo quanto seja menos sobressaltante, menos tetrificante, menos louco, menos delirante, menos contagiante, não é arte. O resto é falsificação. O resto é humano. O resto pertence à vida e à ausencia de vida."Henry Miller

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Caminhando e conversando

((esta história é ficção))

A noite não era uma das mais animadas. Bar cheio. Muita gente falando ao mesmo tempo. Cerveja quente. Mesas apertadas. Um gritava ao lado as soluções para a crise na Grécia. O outro, ao lado arquitetava um plano para matar o Dunga e colocar o Felipão no seu lugar. A falta de paciência fez voltar o vício do cigarro. Na calçada, em frente o bar, a fumaça falava com mais carinho do que tantas conversas sem sentido. Ele veio se aprixamando, passo a passo e começou a conversa sobre cigarro. É um saco fumar. Queria parar. É uma pena que a gente não posso mais sentar na mesa, tomar um cerveja e fumar um cigarrinho... Fumo há tanto tempo... Não fumo em casa... De repente a conversa mudou para Lou Reed e para Nova York. Como é bom poder viajar. Tem tanto lugar no mundo que eu quero conhecer. Não ou não sou casada. Também não. Mas já fui. Eu também. É punk separar. Melhor se vc for Ivana Trump. Ou a mulher do Tigger Wood. Odeio Golf. É um esporte muito besta. Coisa de gente rica. Champanhe também é coisa de gente rica e é bem legal. Paguei a conta no bar. E saimos andando. Andamos a noite toda conversando... De mãos dadas... falando sobre todos os assuntos possíveis. O dia nasceu. E com ele veio um beijo. Um beijo gostoso e por incrível que pareça... aquelas coisa que acontecem só em filmes veio também fogos de artíficios... Que explodiram no céu anunciando uma deliciosa manhã de domingo... Que terminou ali na rua. Na porta do metrô com outro beijo e com uma promessa de outra noite... uma outra conversa... parece que ficou um monte de coisas por dizer. Mas ficou a mágica de um momento incrível. Muito simples, como tudo na vida que é bom deve ser.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

The Bird and the Bee


Paulinho costuma dizer que se for música triste eu gosto... não concordo muito com isto já que tenho um lado rock n´roll, mas sim eu prefiro músicas tristes... Mas eu estava andando muito sem banda... escutando um monte de coisas aleatórias sem dedicar tempo a um som específico e gosto muito de fazer isto. Aí eu escrevo aqui no blog, coloco no Facebook, falo pra todo mundo da banda... até encher o saco e aí eu saio em busca de desbravar outra coisa que ganhe o meu coração. E o critério para ser a "banda-querida-do-meu-coração-no-reapet-non-stop" é só isto: tocar o meu coração. E o duo Californiano de Los Angeles "The Bird and the Bee" fez isto. Na página da dupla indie no MySpace tá que eles tem influência do Jazz e do tropicalismo... não sei se vc vai econtrar isto neste som. É uma música leve, alegre, um pouco irônica, cheia de metais, com arranjos inteligentes, próprios de quem passa muito tempo no estúdio e entende as possíbilidades da tecnologia musical. Mas ao mesmo tempo é uma música antiga... A dupla é formada por Inara George (The Bird) e Greg Kurstin (The Bee). Kurstin é produtor e tecladista e já trabalhou com Lily Allen, Beck, Britney Spears e Red Hot Chili Peppers. O primeiro disco da dupla saiu pelo antológico selo "Blue Note Records". No Blog Penso Sonoro, tem uma frase que descreve o som da banda como o anúncio de um verão... pode ser isto... se vc entender musicalmente... eu entendo, como um dia de sol, na estrada indo pra Itamambuca, com a janela do carro aberta, olhando a paisagem, sentindo a brisa embalada numa música legal... é isto. O último disco da dupla é uma homenagem a sua grande influencia no delicioso álbum "Interpreting the Masters Volume 1: A Tribute to Daryl Hall & John Oates". Hall e Oates formam a dupla americana que em quatro décadas de carreira se tornou a mais bem-sucedida em termos comerciais de todos os tempos. Com certeza você já ouviu alguma coisa da dupla que mistura rock, soul, funk, folk, country e pop. Suas músicas até hoje tocam na rádio. E atualmente estão muito na moda ou sendo redescobertos... sei lá. As pessoas tão ouvindo de novo. Então põe The Bird and the Bee pra tocar e sai por ai dando uma risadinha, uma dançadinha... num dia de sol, mesmo com frio.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Nacionalidade: brasileira

Por causa da minha descendência eu poderia tirar cidadania italiana e espanhola. Também conseguiria a cidadania italiana por causa do meu ex-marido... Aliás ele era uma das pessoas que mais implicava comigo por isto... Chegou uma hora que eu resolvi não falar mais sobre este assunto porque eu simplesmente não o entendo muito bem. Pra que eu vou ter a cidadania de outro país se eu nasci, sou criada e sou de alma e coração brasileira?? Pra que?? Pra ter livre acesso em quais paises?? Eu sempre tive livre acesso nos países que fui visitar... Nunca tive problemas com o meu passaporte. Por que vou mudar de país?? Eu não tenho vergonha de ser brasileira. Qual é a razão de passar por isto?? Se eu tenho a Itália, a Espanha, Portugal e a Africa no meu sangue, é mais um ponto para eu pensar que eu pertenço a um país onde as diferenças e miscigenação são a sua essência. Eu não concordo com esta vontade de mudar de país, não quero ter cidadania de lugar nenhum e acho muito esquisito quem procura isto. Porque se está fazendo isto é para trabalhar de "dishwasher" em algum buraco do mundo... nada contra os lavadores de prato... mas se é isto que vc quer para a sua vida eu posso simplesmenten não querer para a minha. Os americanos tem muitos defeitos, mas assim como todos neste mundo também tem muitas virtudes e uma delas que eu concordo sinceramente é que todos os cidadãos, de todos os países do mundo deveriam se perguntar é: não pergunte o que o seu país pode fazer por vc, mas o que vc pode fazer para o seu país. Você pode mudar a história, vc pode fazer a diferença, vc pode se valorizar, vc pode ser feliz na terra em que nasceu... Mesmo que esta terra ande com vc pelos cinco continentes e atravesse os sete mares. O cidadão mora dentro de vc. Não fora.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Olhando fotos...

Abril já está quase acabando e eu quase não tive tempo para escrever aqui... Mas isto é normal... Mas depois do meu aniversário no último dia 15 de Abril e aos 38 anos eu tenho pensado muito no tempo... Qual é de verdade o meu tempo? Eu sei responder isto de forma muito rápida: o meu tempo é hoje. Mas é possível deixar o passado pra tras e só pensar no aqui e no agora? Deixar o futuro no futuro e entender que ele vem, vira presente e depois passado... Num ciclo sem fim que não podemos interromper, que está na essência de toda a existência humana? Ou alguém consegue controlar o tempo? Você pode achar que ele está passando depressa, que está devagar; aproveitá-lo com serenidade e tudo mais... mas isto serão suas sensações, aos olhos da física, o tempo continua sempre para frente. E mesmo que você decida ficar parado... isto também é um problema seu, porque o tempo em si, o seu tempo vai continuar andando... Então se antingamente tudo era melhor do que hoje é porque "antingamente" está no seu coração... E você se fechou para o tempo de agora. É como visitar uma praia linda, tirar uma foto entrar no carro e sair correndo... sem pisar na areia, sem sentir a brisa, sem sentir o mar... Estamos na praia... estamos na onda... tudo está rolando... agora é você que decide se entra na praia ou vai ficar a vida toda olhando fotos...

sábado, 27 de março de 2010

Parabéns, Renato...

Hoje Renato Russo completaria 50 anos... acho que nada do que eu falar aqui... terá o mesmo peso do que você já me disse ao longo de minha vida... Algumas vou levar para sempre...

Andrea Doria
"Quero ter alguém
Com quem conversar
Alguém que depois
Não use o que eu disse
Contra mim...
Nada mais vai me ferir
É que eu já me acostumei
Com a estrada errada
Que eu segui
E com a minha própria lei..."

Acrilic on Canvas
"Preparei a minha tela
Com pedaços de lençóis que não chegamos a sujar
A armação fiz com madeira
Da janela do seu quarto
Do portão da sua casa
Fiz paleta e cavalete
E com lágrimas que não brincaram com você
Destilei óleo de linhaça
Da sua cama arranquei pedaços
Que talhei em estiletes de tamanhos diferentes
E fiz, então, pincéis com seus cabelos
Fiz carvão do baton que roubei de você
E com ele marquei dois pontos de fuga
E rabisquei meu horizonte."

Eu sei
"A noite acabou
Talvez tenhamos
Que fugir sem você
Mas não, não vá agora
Quero honras e promessas
Lembranças e histórias...
Somos pássaro novo
Longe do ninho
Eu sei! Eu sei!..."

O mundo anda tão complicado
"Quero ouvir uma canção de amor
Que fale da minha situação
De quem deixou a segurança de seu mundo
Por amor"

sexta-feira, 26 de março de 2010

Um pássaro azul

há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica aí dentro,
não vou deixarninguém ver-te.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu despejo whisky para cima dele
e inalo fumo de cigarro
se as putas e os empregados de bar
e os funcionários da mercearia
nunca saberão
que ele se encontralá dentro.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica escondido,queres arruinar-me?
queres foder-me
o meu trabalho?
queres arruinar
as minhas vendas de livros
na Europa?
á um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado esperto,
só o deixo sair à noite
por vezes
quando todos estão a dormir.
digo-lhe, eu sei que estás aí,
por isso
não estejas triste.
depois,coloco-o de volta,
mas ele canta um pouco lá dentro,
não o deixei morrer de todo
e dormimos juntos assim
com o nosso pacto secreto
e é bom o suficiente
para fazer um homem chorar,
mas eu não choro,e tu?

Charles Bukowski - adoro este velho safado.

terça-feira, 23 de março de 2010

Sobre o Glauco

Aqui em São Paulo tem um lugar chamado Mercearia São Pedro que é uma mistura de bar, restaurante, livraria e locadora. Acho que o melhor pastel de São Paulo também é servido lá... mas não tenho conhecimento teórico, apenas empírico... A mercearia é também o que se pode chamar de reduto de artistas, jornalistas, escritores e gente esquisita em geral. Quando conheci o Pollari era um dos seus lugares preferidos e também passou a ser o meu. Era lá que se via e também podia se ouvir gente como Mário Prata, Matthew Shirts, Gilson Ribeiro, entre muitos outros também o Glauco. Lembro de ficar muito feliz de finalmente conhecê-lo depois de passar a minha adolescência morrendo de rir com o Geraldão, D.Marta e Los Tres Amigos (até hoje um dos gibis que mais gosto e como sabem tenho muitos).... Mas a razão da conversa com o Pollari, na época apenas meu namorado era sobre o Daime. O Pollari devido a seus laços familiares era um frequentador esporádico da União do Vegetal, um ramo do Daime aqui em São Paulo importado diretamente de Manaus. Na época Glauco já estava envolvido com o Céu de Maria. E a conversa trocava experiência sobre o Daime, como cada um recebeu uma mensagem de fé, o poder de cura, etc. Mas também existia uma preocupação com o preconceito, com a visão detuparda que as pessoas faziam da "viagem" como se tudo aquilo fosse apenas uma desculpa para ficar doidão... Quem realmente conhece o Daime sabe que não é nada disto. Muito pelo contrário... O chá é apenas um elemento em rituais, cânticos e ensinamentos que assim como a grande maioria das religiões prega o amor, a paz, o respeito, a alegria, a compreensão, a solidariedade. Esta semana, atendendo a classe burra da sociedade preconceituosa a Veja e a Época colocaram a culpa do brutal assassinato de Glauco e de seu Filho Raoni no Daime. De vitimas passaram a culpados... parece que este imbecil desequilibrado que deveria estar passando por um sério tratamento psiquiátrico, só ficou asssim por causa do Daime... Sinceramente não consigo entender e me sinto revoltada. Sei que não deveria ter este tipo de sentimento.. mas estou desabafando... o que mais tenho escutado nas rodinhas de bar: é mas tem esta história do Daime... Eu sinceramente não frequento o Daime, não bebo o chá e minha religião é outra. Mas eu aprendi a ter respeito pelas diferenças e ver além do raso. É claro que o Daime não tem culpa por este imbecil ser assim... Ele não foi tratado, é um desajustado familiar, não teve educação, amparo.... e passou a acreditar que o irmão era a encarnação de Cristo... Sinceramente quanta hipocrisia...

sexta-feira, 19 de março de 2010

Num samba curto

Letra e música de Paulinho "Mestre" Violo

Meu samba andou parado
Até você aparecer
Mudando tudo
Lançando por terra o escudo
Do meu coração
Em repouso
Ontem uma rocha fria
Hoje assim exposto
Deixando entrar sem medo a vida
Aquilo que eu não via
Só agora eu reparei
Que não vi seu rosto
E que você partiu
Sem deixar seu nome
Só me resta seguir
Rumo ao futuro
Certo de meu coração
Mais puro
Quem quiser que pense um pouco
Eu não posso explicar meus encontros
Ninguém pode explicar a vida
Num samba curto

quinta-feira, 11 de março de 2010

Nunca mais vou ver...

Já comentei aqui que nunca mais vou assistir ao filme "Dançando no Escuro"... não porque eu não goste do filme. Gosto muito... mas de verdade ele realmente me faz sofrer demais... sempre fico arrasada e mesmo sabendo de cor as sequências... começo a chorar nos primeiros cinco minutos do filme. Resolvi colocar mais um filme na lista "nunca mais vou ver não mereço sofrer assim" e o mais novo integrante é o filme "Preciosa"... Olha eu não consigo esquecer algumas cenas do filme... Normalmente sou chata assistindo filme (eu sou chata de qualquer jeito, eu sei) tô sempre prestando atenção nos planos, no roteiro, na trilha, nas atuações, etc... Aquela coisa técnica... Poucos são os filmes que conseguem me tirar deste foco... porque faço isto sem perceber...Preciosa foi assim... sem perceber estava me contorcendo na cadeira com pena muito da Preciosa... chorando... e com vontade de pegar aquela mãe e bater nela até não poder mais... É uma história que acontece nos Estados Unidos, no Brasil, na Suiça, na Austria, em todos os lugares do mundo... o pior é que a violência contra crianças que acontece dentro de casa, feita pelos pais.... o pior do ser humano.

V a Batatlha final

Se vc é um nascido dos anos 70 e na década de 80 passava as suas noites na frente da TV, numa época em que o vídeo-cassete era apenas uma promessa de ficção científica, nada mais me deixava com medo do que a assombrosa série "V a Batalha Final". Não perdia um... por nada neste mundo. Morria de medo de descobrir quem era alienígena e quem fazia parte da resistência. Até hoje lembro da cena da meninha que seria adotada pela vilã com cara de boa moça Diana mostrando a sua língua de largato... era horripilante. E quando se descobria por baixo da pele de humano, a verdadeira pele de largatos??? Horrível.... e divertido também. Visto hoje parece piada... efeitos especiais que antes eram o must da tecnologia hoje parecem brincadeiras... A história era muito boa... uma invasão de ETs camuflada numa missão de paz... A série será refilmada... eh aquela coisa, a gente nunca sabe o que vai sair... Hoje os tempos são outros e acho que pode perder um pouco... Mas com certeza vou ver.... gostava muito...

quarta-feira, 10 de março de 2010

Sei que tá atrasado, mas Oscar 2010

Eu assiti mais ou menos a cerimônia... mas eu gostei do que eu vi. Alec Baldwin e Stevie Martin fizeram mesmo uma boa dupla. A maquiagem a la Avatar de Ben Stiler foi uma chance da super mega hiper blaster produção não passar batido... Eu já sabia que o filme ia passar batido no Oscar depois que assisti Guerra ao Terror. O filme é a essência americana, engrandecendo o seu maior tesouro: as tropas. E por que então a academia celebraria um filme de gente azul, com uma pegada esotérica que de certa forma dá uma esculhambada na forma americana de ver o mundo? Não daria... assim como não deu. Eu não gostei muito de Guerra ao Terror. Para mim seria um bom documentário... Tem o mérito de ser um filme simples, baixo custo e uma boa idéia. A idéia é boa. Mas para mim o mais importante de Guerra ao Terro é que ele foi dirigido por uma mulher e ela foi escolhida, depois de 82 edições como melhor diretora. Nunca, outra mulher ganhou e se não me engano só houve 5 indicações femininas... Comecei a discutir a questão no Facebook, mas os comentários machistas me deixaram de bode. Isto não é uma questão de feminismo... como alguns dos senhores sabe eu tb trabalho no famigerado cinema nacional... e putz as vezes é dificil ser a única mulher num bando de homens disputando poder... E a indústria cinematográfica é feita de muitas coisas, talento inclusive, mas outras coisas tb são importantes como relações, lobby, interesses comerciais, pessoais e até os sexuais... enfim... coisas que nem sempre são fáceis de transpor. Comemoro sim a vitória de Kathryn Bigelow. Os organizadores esqueceram de homenagear Farah Fawcett... esqueceram ponto, ponto. E isto não se faz... que mancada. Sandra Bulock, apesar do lindo vestido não merecia o Oscar de Melhor atriz... o filme é bom. Mas nada demais. A atriz de Preciosa merecia muito. Aliás este é um dos filmes que mais me marcou nos últimos tempos... Uma violência e uma tristeza sem fim muito bem contadas, sem frescura, sem pieguices... Mas, assim como Dançando no EScuro, eu nunca mais vou ver... é triste demais. Invictus merecia mais. Muito mais. Bastardos Inglórios, como diz meu amigo Ricardo será um filme que ainda ficará por muito tempo e tb merecia mais. A intenção era que o cinema vencesse e que as bilheterias voltassem. Será que deu certo?? Dúvido... neste novo mundo, tb a arte do entretenimento está se transformando. Mas é sempre bom ver a festa do cinema... concordar, aí já é outra coisa.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Uma mente brilhante

Ainda na linha comentando filmes antigos, acabei de rever o lindo e genial "Uma mente brilhante". A biografia do matemático esquizofrênico John Nash. O filme é uma lição de vida e como a mente humana ainda é um labirinto muito longe de ser desvendado. Nash conseguiu domar a sua loucura e aprendeu a viver com ela... Em 1994, depois de anos dedicados a ser são e a desenvolver teorias que até hoje influenciam o comércio, a política, a matemática, a metafísica e até a biologia ele recebeu o Prêmio Nobel. No seu discurso de agradecimento revelou o seu amor a sua companheira de toda a vida: Alicia, Que mesmo nos piores momentos sempre esteve ao lado do gênio... Segue abaixo o singelo texto...

"Sempre acreditei em números, nas equações e na lógica. Mas após uma vida de demanda, pergunto... o que é, na verdade, lógico? Quem decide o que é racional? A minha busca conduziu-me do físico... ao metafísico... ao delírio... e ao regresso. E fiz a mais importante descoberta da minha carreira. A mais importante descoberta da minha vida. É apenas nas misteriosas equações do Amor... que alguma lógica ou razão podem ser encontradas. Estou esta noite aqui, apenas, graças a ti. És a razão de eu ser. És todas as minhas razões. Obrigado"

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Mais estranho que a ficção...

Este é o nome de um filme esquisito, mas que eu gosto muito, que foi lançado em 2006 e tem um elenco bem legal: Will Farrel, Emma Thompson, Dustin Hoffaman entre outros... é uma história maluca de um fiscal da Receita Federal americana que começa a ouvir a voz de uma narradora que está escrevendo um livro a respeito da sua vida aparentemente sem graça. No final do filme (a desculpa o filme é velho e não vai mudar nada se vc ler este texto), tem um texto muito legal sobre as coisas simples da vida...

“Às vezes, quando nos perdemos no medo, na rotina e na constância,
no desespero e na tragédia, podemos agradecer a Deus por termos biscoitos.
E felizmente, quando acabarem os biscoitos, ainda teremos consolo em uma mão amiga na nossa pele, ou num gesto afetuoso, ou num apoio sutil, ou num abraço carinhoso ou numa palavra de conforto. Sem falar em macas de hospital,tampões de nariz, folheados não comidos, segredos sussurrados e talvez alguma obra de ficção. Devemos nos lembrar que todas essas coisas, nuances, anomalias, detalhes que parecem superficiais na nossa vida, estão aqui na verdade, por uma causa bem mais nobre: elas estão aqui para salvar nossas vidas.”

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Eu sou daqui...

Hoje São Paulo comemora seus 456 anos. Se vc for pensar em termos de cidade, São Paulo é muito jovem... quase uma menina. Por isto eu acho que é tão maluca... Eu sou daqui. Nasci aqui no Tucuruvi. É engraçado quando vc pergunta para um paulistano onde ele nasceu normalmente a resposta será o bairro onde ele foi nascido e criado.... A cidade é tão grande que em cada bairro há pequenas cidades... Vc pode passar o resto da vida sem praticamente atravessar a ponte... Como meu pai. Ele raramente sai da zona norte de São Paulo e quando precisa acha tudo tão longe quanto ir até a lua de carro.... É porque é longe mesmo... Aqui reúne o pior e o melhor de tudo, de todos os povos... São Paulo é uma cidade que tem gente do mundo inteiro e desconfio que de outros planetas também...
Hoje Isabella me perguntou se eu moraria em outro lugar... talvez me aposente e vá morar em Ubatuba quando tiver mais de 65... mas até lá... não pretendo sair daqui. Não mesmo. Eu sofro, reclamo do trânsito, dos turistas (sim aqui tem muito turista), do preço das coisas... Mas não viveria sem as coisas que me fazem uma autêntica paulistana: não fico sem pão francês, ou no linguajar local: um pão na chapa e um média. Não posso me imaginar sem a possibildiade de escolher um restaurante japonês entre os trilhões que existem na cidade. Já pensou passar o resto da vida sem tomar chopp no Filial ou no Genial??? Como seria um domingo sem a feira na rua de baixo... Sem as padarias, sem o Belas Artes ou o Reserva Cultural??? Como seria ficar sem olhar a paisagem escandalosamente feia que se descortina... Toda vez que viajo para fora de São Paulo escuto piada sobre os paulistas, sobre a minha própria pessoa e como eu me pareço "paulista"... deve ser por causa do sotoque cantado ou do meu jeito estressado e sem paciência... já que vivo num lugar onde tudo é muito rápido... ou ainda pela minha cor super branco alvo... Feliz Aniversário minha querida cidade... não gosto que falem mal de vc... apesar de vc dar muitos motivos para isto... Contudo, alagada, infestada de políticos corruptos, de interesseiros imobiliários, do pcc, do trânsito, do seu tamanho... eu sou daqui. Feliz Aniversário.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Verão sabático...

Estou em férias ainda... em casa... sem fazer nada... não sei o que será de mim quando o despertador começar a tocar cedo... desenvolvi o costume de abrir o olho as dez da manhã... um horário prá lá de civilizado para acordar... estou indo dormir sempre de madrugada e não faço a menor idéia de como está o meu relógio biológico... pensei em tudo isto hoje... antes estava pensando em pendurar os quadros - já fiz isto - em fazer shitake na manteiga... eu fiz isto também... em quem vai substituir a Oprah... em como eu choro toda as vezes que assisto Extreme Makeover... Como é bom quando passa Procurando Nemo a tarde... pensamentos profundos... Assisti um filme cabeção chamado "Entre os muros da Escola"... eu adorei o filme... Assisti o lindo "Amantes" como o homem que eu sempre quis para mim depois do Eddie Vedder Joaquin Phenix.... Depois um filme muito besta com a Uma Thurma "Marido por um acaso" é bom rir... dormir... passei um dia inteiro em casa de pijama... assistindo filme... coisa que não fazia há séculos.... comi tranquiras... depois comi frutas... dormi mais um pouco.... tenho dormido muito. É isto que eu chamo de um verão sabático... estou com muita preguiça... parece que quanto menos coisas vc faz...menos dá vontade de fazer... bom sei que esta folga vai acabar... então estou aproveitando... também para escrever aqui... que bom....

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Mala é roubada

Uma coisa chata que aconteceu comigo na viagem foi que a minha mala foi extraviada pela Gol... ela foi parar em Natal e só conseguir pegar a mala no dia seguinte a tarde no hotel.. até aí tudo bem. Fiquei tão feliz que tinha recebido a mala que não me dei conta na hora que algumas coisas minhas tinham sido roubadas... Fiquei indignada... Já que a mala estava sob os cuidados dos funcionários da gol... roubaram coisas que não tem muito valor, mas para mim tem. Contabilizando foram três vestidos novos que eu tinha acabado de comprar para a viagem e nem paguei ainda. Meu depilador velho... fico com nojo só de imaginar que alguém roubou isto... duas blusinhas regatas básicas da C&A, uma blusinha verde da Cloé (paguei um fortuna), uma sandália de couro trançada e uma calça que mandei fazer em Mar de Espanha... A Gol disse que a mala foi pesada no aeroporto e que a diferença de peso na entrega era de apenas um quilo e por isto só poderia me reembolsar 76 reais.... Eu fiquei tão indignada... ainda estou... Acho um absurdo que vc confia suas coisas a uma empresa e nem tem outra opção... ou alguém tem a opção de não embarcar a mala?? Vc é praticamente obrigado e a partir daí tem que rezar para que tudo dê certo... Vc simplesmente está na mão das empresas aéreas e elas fazem o que querem... Eu vou entrar com uma ação... Acho que tenho que fazer isto para que não fique por isto mesmo... não pode ficar por isto mesmo. Os aeroportos brasileiros são o samba do criolo doido... praticamente terra de ninguém. Não pode ser assim... ouvi um monte de histórias de pessoas que foram lesadas desta maneira. Se a gente não reclama também não faz valer nossos direitos de cidadão... Eu vou ficar escrevendo sobre a história da Gol até eu ser reembolsada de forma justa e digna... o que eles me falaram é no mínimo uma falta de respeito. E se a mala estava sob os cuidados da empresa... foram os funcionários do aeroporto que roubaram... as pessoas responsáveis pela bagagem... Então se não podemos confiar, temos que buscar uma maneira que a coisa seja justa.

Nova Cara

Começo o ano com uma nova cara para o blog... sempre que troco... demoro para me acostumar... aceito sugestões... não sei ainda se é isto. Mas tá bunitiiiinhooo...