domingo, 26 de dezembro de 2010

Um chapéu de presente...

Conheci uma moça que ganhou de presente um chapéu muito bonito. Mas antigo demais para ser usado nos dias comuns. Seu formato acertava-se perfeitamente à cabeça, mas ao mesmo tempo garantia um certo desconforto como se o resto da roupa e mesmo da cara não combinasse com o tom azul e a flor amassada de organza rosa e velha. O presente era uma herança que recebera no mesmo dia que soube da morte da avó. O chapéu tinha sido o seu enfeite de todos os domingos. Na sua avó ficava perfeito, combinavam. Talvez sua avó tivesse construído uma vida onde fosse possível caber um chapéu romântico. Esta menina não tinha uma vida onde este chapéu pudesse ser usado aos domingos. No máximo seria pendurado como um quadro em algum canto da casa, para que o carinho, as férias perfeitas na casa da avó, as tardes juntas no quarto de costura, as noites na frente da televisão, o cheiro da comida, o cheiro de talco logo após o banho, o café do domingo sempre cedo e sempre com bolo de fubá estivessem também pendurados juntos com o chapéu. Talvez assim também chegasse o dia em que esta moça pudesse usá-lo de forma natural e se sentir bonita, como, tinha certeza, sua avó sentia. Não sabia ao certo se este dia chegaria.... Mas não tinha pressa. Agora era um dos seus pertences. Um presente perfeito que ganhara para aliviar uma tristeza. Uma bobagem, como disse sua tia. O mundo mudaria certamente em torno do chapéu. Mas ele não ficaria mais feio, nem mais bonito, nem mais ultrapassado do que já era... Talvez o tempo também mude o chapéu, deixe-o desbotado, talvez as traças ataquem. Mas isto sinceramente não tem importância... Num dia qualquer, em que estiver a toa e sozinha, já posso vê-la colocar a chapéu na cabeça, olhar no espelho, sorrir, imaginar uma conversa qualquer, um passeio, brincar de voltar no tempo, brincar de ser outra pessoa, brincar com o seu passado, cantar, dançar... enfim, usar a "bobagem" como as coisas devem ser: simples e para trazer alegrias. Mas depois colocá-lo no seu lugar na parede e se voltar para ler o jornal, arrumar a roupa ou sair para tomar um sorvete. E certa de que não importa que você não combine mais com o chapéu do passado, mas ele esteve ali, fez parte da sua vida... e vai continuar, mesmo que pendurado na parede.

Não vou comprar cigarro em Cuba

Tradicionalmente todo ano, no final do ano especificamente, mudo a cara do blog. No começo sempre fico em dúvida se fiz a escolha certa. Mas depois vou me acostumando e me recuso a mudar... Então esta será a cara do Visões em 2011. Pra falar a verdade escolhi pela cor e pela simplicidade. Achei melhor do que antes que estava muito rebuscado e esquisito. Afinal é isto também o que tem acontecido com os blogs. Em tempos de cento e poucos caracteres ter um blog é ser "old school"... Não se usa mais, ninguém lê e é como um grão de areia na tempestade virtual que cresce a cada milésimo de segundo. Mas eu insisto... de forma um pouco desleixada... escrevendo pouco... mas tô ai. Coloquei na minha lista de coisas para fazer a mudança do blog... vou ficando... ele vai ficando e assim seguimos como um casamento antigo, daqueles que as pessoas tem muita intimidade, mas pouca convivência, talvez pouco amor, mas muita coisa da vida em jogo para sair batendo a porta, ir comprar cigarro em Cuba e nunca mais voltar.