segunda-feira, 31 de maio de 2010

Sobre amar...

"Há mulheres que querem que o seu homem seja o Sol. O meu quero o nuvem. Há mulheres que falam na voz do seu homem. O meu que seja calado e eu, nele, guarde meus silêncios. Para que ele seja a minha voz quando Deus me pedir contas.
No resto, quero que tenha medo e me deixe ser mulher, mesmo que nem sempre sua. Que ele seja homem em breves doses. Que exista em marés, no ciclo das águas e dos ventos. E, vez em quando, seja mulher, tanto quanto eu. As suas mãos as quero firmes quando me despir. Mas ainda mais quero que ele me saiba vestir. Como se eu mesma me vestisse e ele fosse a mão da minha vaidade.
Há muitotempo, me casei, também eu. Dispensei uma vida com esse alguém. Até que ele foi. Quando me deixou, já não me deixou a mim. Que eu já era outra, habilitada a ser ninguém. Às vezes, contudo, ainda me adoece uma saudade desse homem. Lembro o tempo em que me encantei, tudo era um princípio. Eu era nova, dezanovinha.
Quando ele me dirigiu palavra, nesse primeiríssimo dia, dei conta de que, até então, nunca eu tinha falado com ninguém. O que havia feito era comerciar palavra, em negoceio de sentimento. Falar é outra coisa, é essa ponte sagrada em que ficamos pendentes, suspensos sobre o abismo. Falar é outra coisa, vos digo. Dessa vez, com esse homem, na palavra eu me divinizei. Como perfume em que perdesse minha própria aparência. Me solvia na fala, insubstanciada." (Mia Couto em "O fio da missanga)

domingo, 30 de maio de 2010

Sobre ser artista

"Lado a lado com a espécie humana corra outra raça de seres, os inumanos, a raça dos artistas que, incitados por desconhecidos impulsos, tomam a massa sem vida da humanidade e, pela febre e pelo fermento com que a impregnam, transformam a massa úmida em pão, e o pão em vinho, e o vinho em canção. Do composto morto e da escória inerte criam uma canção que contagia. Vejo esta outra raça de indivíduos esquadrinhando o universo, virando tudo de cabeça para baixo, os pés sempre se movendo em sangue e lágrimas, as mãos sempre vazias, sempre se estendendo na tentativa de agarrar o além, o deus inatingível: matando tudo ao seu alcance que lhe rói as entranhas (...) Um homem que pertence a essa raça precisa ficar em pé no lugar alto, com palavras desconexas na boca, e arrancar as próprias entranhas. É certo e justo, porque ele precisa! E tudo quanto fique aquém dessa aterrorizador espetáculo, tudo quanto seja menos sobressaltante, menos tetrificante, menos louco, menos delirante, menos contagiante, não é arte. O resto é falsificação. O resto é humano. O resto pertence à vida e à ausencia de vida."Henry Miller

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Caminhando e conversando

((esta história é ficção))

A noite não era uma das mais animadas. Bar cheio. Muita gente falando ao mesmo tempo. Cerveja quente. Mesas apertadas. Um gritava ao lado as soluções para a crise na Grécia. O outro, ao lado arquitetava um plano para matar o Dunga e colocar o Felipão no seu lugar. A falta de paciência fez voltar o vício do cigarro. Na calçada, em frente o bar, a fumaça falava com mais carinho do que tantas conversas sem sentido. Ele veio se aprixamando, passo a passo e começou a conversa sobre cigarro. É um saco fumar. Queria parar. É uma pena que a gente não posso mais sentar na mesa, tomar um cerveja e fumar um cigarrinho... Fumo há tanto tempo... Não fumo em casa... De repente a conversa mudou para Lou Reed e para Nova York. Como é bom poder viajar. Tem tanto lugar no mundo que eu quero conhecer. Não ou não sou casada. Também não. Mas já fui. Eu também. É punk separar. Melhor se vc for Ivana Trump. Ou a mulher do Tigger Wood. Odeio Golf. É um esporte muito besta. Coisa de gente rica. Champanhe também é coisa de gente rica e é bem legal. Paguei a conta no bar. E saimos andando. Andamos a noite toda conversando... De mãos dadas... falando sobre todos os assuntos possíveis. O dia nasceu. E com ele veio um beijo. Um beijo gostoso e por incrível que pareça... aquelas coisa que acontecem só em filmes veio também fogos de artíficios... Que explodiram no céu anunciando uma deliciosa manhã de domingo... Que terminou ali na rua. Na porta do metrô com outro beijo e com uma promessa de outra noite... uma outra conversa... parece que ficou um monte de coisas por dizer. Mas ficou a mágica de um momento incrível. Muito simples, como tudo na vida que é bom deve ser.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

The Bird and the Bee


Paulinho costuma dizer que se for música triste eu gosto... não concordo muito com isto já que tenho um lado rock n´roll, mas sim eu prefiro músicas tristes... Mas eu estava andando muito sem banda... escutando um monte de coisas aleatórias sem dedicar tempo a um som específico e gosto muito de fazer isto. Aí eu escrevo aqui no blog, coloco no Facebook, falo pra todo mundo da banda... até encher o saco e aí eu saio em busca de desbravar outra coisa que ganhe o meu coração. E o critério para ser a "banda-querida-do-meu-coração-no-reapet-non-stop" é só isto: tocar o meu coração. E o duo Californiano de Los Angeles "The Bird and the Bee" fez isto. Na página da dupla indie no MySpace tá que eles tem influência do Jazz e do tropicalismo... não sei se vc vai econtrar isto neste som. É uma música leve, alegre, um pouco irônica, cheia de metais, com arranjos inteligentes, próprios de quem passa muito tempo no estúdio e entende as possíbilidades da tecnologia musical. Mas ao mesmo tempo é uma música antiga... A dupla é formada por Inara George (The Bird) e Greg Kurstin (The Bee). Kurstin é produtor e tecladista e já trabalhou com Lily Allen, Beck, Britney Spears e Red Hot Chili Peppers. O primeiro disco da dupla saiu pelo antológico selo "Blue Note Records". No Blog Penso Sonoro, tem uma frase que descreve o som da banda como o anúncio de um verão... pode ser isto... se vc entender musicalmente... eu entendo, como um dia de sol, na estrada indo pra Itamambuca, com a janela do carro aberta, olhando a paisagem, sentindo a brisa embalada numa música legal... é isto. O último disco da dupla é uma homenagem a sua grande influencia no delicioso álbum "Interpreting the Masters Volume 1: A Tribute to Daryl Hall & John Oates". Hall e Oates formam a dupla americana que em quatro décadas de carreira se tornou a mais bem-sucedida em termos comerciais de todos os tempos. Com certeza você já ouviu alguma coisa da dupla que mistura rock, soul, funk, folk, country e pop. Suas músicas até hoje tocam na rádio. E atualmente estão muito na moda ou sendo redescobertos... sei lá. As pessoas tão ouvindo de novo. Então põe The Bird and the Bee pra tocar e sai por ai dando uma risadinha, uma dançadinha... num dia de sol, mesmo com frio.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Nacionalidade: brasileira

Por causa da minha descendência eu poderia tirar cidadania italiana e espanhola. Também conseguiria a cidadania italiana por causa do meu ex-marido... Aliás ele era uma das pessoas que mais implicava comigo por isto... Chegou uma hora que eu resolvi não falar mais sobre este assunto porque eu simplesmente não o entendo muito bem. Pra que eu vou ter a cidadania de outro país se eu nasci, sou criada e sou de alma e coração brasileira?? Pra que?? Pra ter livre acesso em quais paises?? Eu sempre tive livre acesso nos países que fui visitar... Nunca tive problemas com o meu passaporte. Por que vou mudar de país?? Eu não tenho vergonha de ser brasileira. Qual é a razão de passar por isto?? Se eu tenho a Itália, a Espanha, Portugal e a Africa no meu sangue, é mais um ponto para eu pensar que eu pertenço a um país onde as diferenças e miscigenação são a sua essência. Eu não concordo com esta vontade de mudar de país, não quero ter cidadania de lugar nenhum e acho muito esquisito quem procura isto. Porque se está fazendo isto é para trabalhar de "dishwasher" em algum buraco do mundo... nada contra os lavadores de prato... mas se é isto que vc quer para a sua vida eu posso simplesmenten não querer para a minha. Os americanos tem muitos defeitos, mas assim como todos neste mundo também tem muitas virtudes e uma delas que eu concordo sinceramente é que todos os cidadãos, de todos os países do mundo deveriam se perguntar é: não pergunte o que o seu país pode fazer por vc, mas o que vc pode fazer para o seu país. Você pode mudar a história, vc pode fazer a diferença, vc pode se valorizar, vc pode ser feliz na terra em que nasceu... Mesmo que esta terra ande com vc pelos cinco continentes e atravesse os sete mares. O cidadão mora dentro de vc. Não fora.