quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A vida é muito curta para morar em São Paulo


Quando eu vi esta frase pensei: é verdade. Depois deste primeiro impulso, meu coração se encheu de tristeza em constatar a que ponto esta cidade chegou. Costumo dizer que uma pessoa é mesmo paulistana quando ela alimenta o desejo de deixar São Paulo. Quase todas as pessoas que moram aqui, tem a mais absoluta certeza que seriam muito mais felizes em outro lugar.... E por quê?
É o trânsito? É a pressa? É a chuva e a garoa que não param? É a violência? Os preços absurdamente caros de tudo? O jeito sisudo da moça no metrô? Pode ser tudo isto... Afinal se tem uma coisa que São Paulo consegue fazer pelos seres humanos que se atrevem a viver aqui é endurecer seus corações... É preciso. Tem  que ser esperto, alerta, tomar cuidado...
O medo assombra em cada farol, em cada esquina... na madrugada, em qualquer lugar.
Tudo é cinza. Tudo é longe. Tudo é feio.
Mas será que São Paulo pode ser reduzida dessa maneira? Acho que não... sinceramente acho que este sentimento de abandono eminente pela cidade é alimentado por esta política perversa que não pensa na convivência e sim no toma-lá-dá-cá e no levar vantagens em tudo. Se você quer ir embora, então por que pedir melhorias? Se você quer ir embora por que cuidar? Não tem sentido....
Eu adoro São Paulo, mas estou sendo vencida por tantas dificuldades urbanas... e a minha vontade de ir  está crescendo.... lamento. Se vou de verdade tomar esta decisão? Confesso que me falta coragem... pelo jeito vou manter este casamento ruim.
Vou alimentar o sonho de ver esta cidade do jeito que ela deve ser. Com transporte público descente, para todos, confortável, que a violência seja diminuída, que todos os bairros, de todas as zonas mereçam o mesmo tratamento, que a gente possa conviver. Sonho com uma São Paulo mais amiga e menos perversa. Parabéns sua filha de uma puta que gosto tanto!!
Se a vida é muito curta, então na verdade não temos mais tempo, estamos atrasados. E não adianta só esperar o poder público... porque este já provou que gosta mesmo do prestígio, do poder, do dinheiro que corre como água para poucos, que inebriados por estas pequenas coisas esquecem do que importa.