Nosso último rolo, o filme


O filme Kodachrome foi inventado pela Kodak em 1935, mas a partir do próximo dia 31 de dezembro não será mais possível fotografar em Kodachrome. O filme deixará de ser produzido e seu complexo sistema de revelação também não estará mais disponível.
O Kodachrome surgiu como o primeiro filme comercial a cores e a sua extinção é também a extinção de um produto cultural, que registrou a história da humanidade nos últimos anos.
Nos Estados Unidos, as tradicionais apresentações em slides das festas e principais eventos familiares eram realizados em Kodachrome.
O filme serviu de inspiração para Paul Simon numa de suas músicas mais conhecida.
A National Geografic virou referência ao mostrar para o mundo como eram as cores ao serem fotografadas em Kodachrome.
O filme determinou uma geração de fotógrafos em todo o mundo, inclusive no Brasil, que precisou alcançar uma excelência técnica para explorar ao máximo as possibilidades do filme e o seu conceito de cor.
Imagens registradas em Kodachrome poderão ser vistas daqui a muitos anos. Sua durabilidade ultrapassa cem anos. É considerado um dos melhores filmes de todos os tempos graças às suas qualidades de reprodução de cor e arquivamento.
Na era digital para ver uma imagem você precisa ligar um computador, plugar um pen drive, acionar uma máquina, mandar imprimir. Com o Kodachrome basta levantar o slide contra a luz.
O fim do Kodachrome levanta uma série de pensamentos que passam pelo avanço do digital, o papel do fotógrafo neste novo cenário, a eterna briga entre o avanço tecnológico e a extinção de produtos e processos e como tudo isto vai influenciar as gerações futuras.
Como será a fotografia daqui para frente é um tema para muitas especulações, como ela já foi e determinou uma época é possível traduzir através de todo o universo criado em torno do Kodachrome. Este é o tema do documentário que ajudei a produzir ontem... Temos um filme, um filme histórico, um filme bonito... O bom de fazer trabalhos artísticos... é que a liberdade de criação e as fronteiras das possíbilidades são infinitas... foi um dos melhores domingos da minha vida... Quase 30 fotógrafos num mesmo dia com o único objetivo de gastar o seu último rolo de kodachrome da maneira que achasse melhor... Pessoas como Dimitri Lee, Fausto Chermont, Penna Prearo, Angelo Patorello, Cássio Vasconcelos, Ferannda Sá, Daniel Klajmic, Tony Freder, Hilton Ribeiro, Thales Trigo, Armando Prado, Eduardo Mulayert, Ricardo Van Steen, Iatã Canabrava, de Parati, Gal Oppido, de Paris, Roberto Linsker de Porto Alegre e Ze di Boni da Itália... Realmente foi um privilégio... Não vejo a hora da saber da revelação das fotos e de ver o filme pronto. Simplesmente sensacional!!!!!!!

Comentários

Fernanda Moura disse…
Que legal o trabalho Tita, quero muito ver depois de pronto. Que triste é parar com a produção desse filme...vc me conheçe e sabe que pra mim não existe comparação entre filme e digital! Beijosss

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