segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Cúmplices

(Ficção. Algumas semelhanças com a realidade, mas bem poucas. Identidades preservadas pela própria dignidade da pessoa)
Domingo, perto da meia-noite recebo uma mensagem da distante Inglaterra no celular: “está vendo o Sportv? Campeonato Mundial de Patinação Artística”. Sem lembrar da entediante segunda-feira que se aproxima, pulo da cama desesperada e só consigo pensar no que perdi. Rapidamente, pelo celular, da distante Inglaterra, da terra onde as pessoas fazem mestrado, recebo as atualizações das últimas apresentações, com detalhes nas notas... E aí então entro no reconforte mundo dos saltos-e-piruetas-com-babados-no-gelo. Feliz é aquele que tem uma amiga para dividir o amor pela patinação. Mais feliz ainda é quem tem um amiga para compartilhar suas impressões sobre outro derivado dos pulos-com-fru-fru: filmes de patinação. Afinal são poucas as pessoas no mundo que vão soltar um suspiro ao ouvir: “Um casal quase perfeito”. Clássico... até hoje insuperável...(Disney, me desculpe mas Sonhos no Gelo nunca será “Um casal..., talvez se comparamos com Um casal quase perfeito três (existe!))... Enfim, isso é mais que uma amizade. É quase como ser cúmplice em um crime.
Mais difícil do que encontrar alguém para falar sobre patinação artística, é aguentar sozinha o preconceito por gostar de Alcione. Mas eu não passo por isso... D, assim como eu, também é fã da Marrom (mesmo quando ela aparece vestida de cereja). E podemos compartilhar o momento de cantar (dentro do carro é claro), fazendo um dueto, “garoto, maroto, travesso....”, É  uma alegria inexplicável.... Mas é tão difícil sair desse armário, o risco de bullying é aterrorizador...
L,  divide comigo o amor pelas fontes... e alguma cascatas. Acho lindo. Como L é arquiteta, a gente sonha ganhar na loteria, só para construir uma casa com uma grande, esquisita e chamativa “fonte-elefante”. A título de curiosidade, elefante em casa dá sorte... Enquanto a grana da loteria não vem, ficam espalhados pela casa elefantinhos-de-bisquit-com-espelhinhos-colados... E o ridículo de tudo isso toma horas e horas de boas conversas... principalmente se tiver cerveja no meio. Mas a gente sempre concorda que fonte de respeito é a “Casa da Pedra” do Frank Lloyd...
J, Outra parceira da clandestinidade, é uma pessoa respeitada, principalmente quando o assunto é economia e investimento, que mantém em segredo uma coleção respeitável de Júlia e Sabrina... antigas. “Que delícia para zerar o QI.”... costuma dizer, se desculpando por esse amor bandido.  E por considerar “o torso nu do Capitão Walker, protegendo finalmente Lisa.”, quase Joyce... Sonho um dia escrever um livro desses, e me divirto procurando pseudônimos... Chegamos à conclusão que Dolores Ruas é uma boa opção. Ainda não achei um bom nome para o meu capitão... claro que precisa ser uma história na praia. São os nossos preferidos.... E é melhor eu parar por aqui para não piorar, ou colocar em risco a cumplicidade... São gostos que não tem explicação. Ou lógica. São gostos-duvidosos que brotam de um desastre químico do cérebro. Acontece, sem que se possa fazer nada, com muita gente e é involuntário. Talvez isso explique o ditado  “sapo não anda com cobra”... tem sempre alguém por aí para compartilhar o seu lado Z...



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